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Imagine acordar numa bela manhã de domingo. Você tenta se levantar… mas as pernas não respondem. Assustado, tenta gritar — e a voz também te abandona. O corpo inteiro em silêncio. Você está paralisado.

O que faria se seu próprio corpo se voltasse contra você, num pesadelo digno de Kafka?

“Eu iria direto para o hospital”, você diria.

E assim faz. Desespero nos olhos, corre pra emergência, enfrenta uma bateria de exames, passa por neurologistas e clínicos. O tempo se arrasta na sala de espera — o corpo, embora rebelde, parece mais vivo do que nunca.

Mas calma.

Toda angústia tem seu fim. Horas depois, o diagnóstico chega:

“Você está sofrendo de um quadro severo de frescura. Desocupe o leito!”

Essa é uma história real — ou melhor, o retrato fiel do que viveram inúmeras mulheres na Europa há pouco mais de cem anos. Seus corpos falavam o que a sociedade não permitia dizer.

E foi assim, ouvindo esses corpos, que nasceu uma nova forma de compreender o sofrimento humano.

Senhoras e senhores, sejam bem-vindos a Viena do século XIX: o berço da psicanálise.


Ora, o campo da repetição não se limita apenas ao indivíduo mas alcança o seu coletivo, nosso instinto de preservação tende a buscar zonas seguras desde que o mundo é mundo, afinal, o mundo pode ser um lugar bem hostil se, na infância, não formos suportados com a segurança, previsibilidade, presença e o amor dos nossos cuidadores. Portanto, o desconhecido nos assusta, uma vez assustado, podemos lutar ou fugir.

“Mesmo o mais corajoso entre nós raramente tem coragem para aquilo que sabe, autenticamente.” ~Nietzsche

A histeria de conversão surgiu consigo trazendo um enigma que a medicina do século XIX não conseguiu decifrar:

Paralisias, cefaleias, dores abdominais, náuseas, vômitos, dificuldades respiratórias, tremores, espasmos, convulsões… a lista é extensa. No entanto, sem uma razão orgânica. E não se iluda em pensar que isso ocorreu por mera negligência: muitos médicos estavam empenhados em descobrir a causa dos sintomas — porém, sob um viés positivista e impotente numa doença dessa natureza.

Até que, em 1878, o médico francês Jean-Martin Charcot, demonstrou que era possível suspender e reproduzir os sintomas histéricos ao hipnotizar as pacientes, porém, ao retornar do estado hipnóide eles reapareciam.


Veja

A descoberta de Charcot evidenciou que havia naquelas pacientes uma divisão psíquica. Existia um “lugar” onde estavam armazenadas algumas representações e o acesso a esse lugar era restrito à consciência. Guarde essa ideia.

A hipnose era um caminho possível, mas isso traz mais perguntas do que respostas.

Como explicar esse fenômeno?


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